quarta-feira, 13 de abril de 2011

Unidos de Santa Cruz

Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Santa Cruz

Endereço: Rua Vicente Nogueira, 58
Presidente: Zair Antônia dos Santos Hilário - Tel. 98798657
Endereço: Rua Vicente Nogueira, 58
Cores: Vermelho, Azul e Branco
Barracão: Clube de Santa Cruz
Ensaios: Clube de Santa Cruz

Enredo: “Carukango o Príncipe dos escravos”

Autoria do Histórico: Fábio Pereira

Bibliografia: “Carukango o príncipe dos escravos”,  Hélvio Gomes Cordeiro

Mestre de Bateria: Crezon da Silva Souza

Diretor de Harmonia: Leidiane Hilário

Coreógrafo da Comissão de Frente: Laudioney Marques

Mestre Sala e Porta-Bandeira: Diogo e Karilany

Carnavalesco Responsável: Fábio Pereira

Número de Alegorias: 04            

Número de Alas: 10

Sinopse:

A Escola vai falar de um grande moçambicano que viveu em nossa região. Carukango foi um príncipe trazido a força de sua terra natal, após a festa de casamento de uma de suas irmãs com o filho dos reis dos Bazutos.
A tribo dos Zulus convidada para a festa, havia feito uma negociação com os brancos do litoral e com os traficantes de escravos e com isso, receberam a missão de fazer prisioneiros os Bechuanos tribo do Príncipe Carukango.
Durante a madrugada, os Zulus invadiram o povoado dos Bechuanos e, bem armados com lanças, zarabatanas e bordunas e se guarneciam com escudos de couro. Depois do alarme, os Bechuanos saíram das Cubatas de Palha para se defender, após uma grande batalha conseguiram expulsar os Zulus.         
Porém, mesmo lutando bravamente Carukango que teve sua atenção “roubada” recebeu uma pancada na cabeça, ficando assim, completamente desacordado e foi levado para um navio chamado de “Gaivota Feliz”, amarrado a outros nativos após trinta e nove dias à bordo, tal navio negreiro era conhecido como Tumbeiros e de tantas humilhações cruzaram os oceanos da África até a Costa Brasileira.
O desembarque foi na enseada de Quissamã, próximo da embocadura do riacho (Rio Furado). O leilão foi realizado no mesmo local do desembarque, sendo todos arrematados por um mercador de Macaé, cujo nome era: Capitão Chico Domingos, que tinha um sócio no Rio de Janeiro que pagou sessenta mil réis por cabeça. Já no leilão de Macaé, três negros foram vendidos para o Capitão Antonio Pinto, cuja família era muito poderosa na região. Carukango era um deles, junto com dois Africanos, cujos nomes eram Tumé e Mandú Gambô.
Nessa fazenda, Carukango recebeu o nome católico de Dodô Moçambique, nome que não aceitava, já vivendo a oito na fazenda do Coronel Antônio Pinto, não aceitava a condição de escravo por sua rebeldia, vivia sendo torturado no tronco, seu corpo era todo lanhado e marcado pelas surras que levava. De tanto viver a ferros no tronco, seu corpo ficou defeituoso da perna esquerda e por não aceitar a vida que levava, saiu em busca da liberdade.
Certa noite os escravos arrombaram as portas da senzala e fugiram e levaram armas, cordas e ferramentas. Os feitores e os patrões perseguiram os fugitivos com tiros, mas a fuga foi bem sucedida, e seguiram para serra do deitado, que era habitada na época por índios nativos que hoje fazem parte dos Municípios de Macaé e Conceição de Macabú, lá construíram um abrigo coletivo e tinha tudo que precisavam para sobreviver.
O Quilombo já havia crescido e contava com centenas de escravos que se protegiam bem dos fazendeiros que tentavam a todo custo reaver seus escravos Carukangos se fortaleciam, e despertavam mais ódio dos fazendeiros.
Os fazendeiros se uniram com as milícias do Espírito Santo depois da captura do seu amigo Tomé que Carukango pensava em estar morto, mas ele estava vivo e sofreu torturas até entregar o caminho do Quilombo. Uma expedição fortemente armada foi comanda pelo Coronel Antão de Vasconcellos, a batalha foi sangrenta e desigual, os milicianos causaram grandes estragos aos Quilombolas, Carukango vendo que não tinha saída ordenou a Mandú Gambô que fugissem com alguns negros e negociou a vida das mulheres que voltariam para as fazendas em segurança.  
Todos os milicianos achavam que Carukango iria se entregar, quando o avistaram,vestido como um Rei de roupas brancas e um colar de ouro, um facão e uma garrucha matando vários, inclusive Tomas Pinto, filho do fazendeiro Antonio Pinto. Carukango foi trucidado e esquartejado para servir de exemplo, e sua cabeça foi exposta na fazenda e na freguesia de Nossa Senhora das Neves, sua cabeça foi espetada numa lança e colocada na encruzilhada de maior movimento da região.
Entre as mulheres que voltaram para a fazenda, está à esposa de Carukango, Ziqué deu a luz a uma menina que foi batizada com o nome de Justina, a criança cresceu e se fez moça sem ter a idéia de sua real origem. Depois de algum tempo se tornou uma mulher forte e saudável, passou a valer muito, foi vendida para a Senhora Dona de Engenho que depois a entregou em dívida para o Vigário de Campos dos Goytacazes, que não conseguiu conter o encanto pela negra Justina e acabou por fazer dela sua mulher e desse relacionamento nasceu um menino mulatinho, bem robusto, o padre o batizou com José do Patrocínio e aí começa a grande história do “Tigre da Abolição”.

Samba-Enredo: “Carukango o Príncipe dos escravos”

Autores: Beto da Viola, Badanho e Virgínia Lúcia

Intérprete: Badanho

Carukango, negro forte
Ao desembarcar em nosso país
Foi leiloado para o capitão
Poderoso da região
O ódio cresceu em seu coração
Sua rebeldia teve repercussão
Chicotes e açoites que aberração
Não aceitava sua condição

Da senzala fugiu
Seguido pelo feitor
Foi pro Quilombo e conheceu seu grande amor                                                

Em busca da liberdade
Com total fidelidade, lutou
Quando o bicho pegou e a milícia chegou
A vida mulheres negociou
Principalmente seu amor

Vestido de rei, não se entregou
Heis que a tragédia terminou
Traído pelos Zulus                                                                                          
Foi exportado para o Brasil
É o que conta a minha Santa Cruz

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